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sábado, 17 de agosto de 2013

HISTÓRIA DAS RADIAÇÕES NO DIAGNÓSTICO MÉDICO = ESPECTRO ELETROMAGNÉTICO - RAIOS X - PRIMEIRA PARTE - A DESCOBERTA

Prof. Dr. João Eduardo Irion
A DESCOBERTA DOS RAIOS X

PESQUISAS ANTECESSORAS

Para a produção de raios X é preciso existir condução de eletricidade em gases rarefeitos. Esse fato remete o início dessa história para o século XVII, a partir das primeiras experiências sobre pressão atmosférica realizadas, em 1643, pelo italiano Evangelista Torricelli e logo depois, em 1646, pelo francês Blaise Pascal.
A primeira bomba de vácuo foi concebida por Otto von Guericke por volta de 1650. Foi com o ar rarefeito que esse cientista obteve importantes resultados relacionados à propagação do som e realizou, ao ar livre, a conhecida “experiência dos hemisférios de Magdeburgo”, por ocasião do Congresso Imperial de Ratisbon na Alemanha, em 1654. Nessa ocasião, Guericke tornou evidente o valor da pressão atmosférica. Com a bomba, Guericke retirou o ar dos dois hemisférios mantendo-os encaixados e, então, duas parelhas compostas de oito cavalos não conseguiram separá-los devido ao peso da atmosfera, mas separavam-se facilmente quando o ar voltava ao seu interior.
Em 1657, o químico inglês Robert Boyle com a ajuda de seu conterrâneo, o físico Robert Hooke, aperfeiçoou uma bomba de vácuo, conseguindo pressão a 102 Pascais”[1].
Quase dois séculos se passaram até que Michale Faraday, em 1833, aperfeiçoasse a bomba de vácuo Boyle-Guericke e realizasse as primeiras observações sobre a condução de eletricidade nos gases, verificando que a rarefação favorecia a produção de faíscas elétricas.
Por mais dois séculos, as pesquisas permaneceram estacionadas porque enfrentavam dois obstáculos: um deles era a criação de uma bomba de vácuo mais eficiente e outro era a dificuldade de fundir vidro com metal, causada pelos diferentes coeficientes de dilatação de um e outro. A fusão vidro com metal era a condição indispensável para a construção de ampolas de vidro fechadas e dotadas de eletródios metálicos.
Em 1855, o físico alemão Johann Henrich Wilherm Geissler superou as dificuldades: ele dominava a técnica de sopro de cristais e conseguiu desenvolver a técnica de soldagem entre vidro e metais e, ainda mais, construiu uma bomba de vácuo sem partes móveis que produzia vácuo pelo movimento de uma coluna de mercúrio.
Com esses avanços, Geissler passou a fabricar ampolas contendo eletródios metálicos e com pressão da ordem de 40 mm de Hg (ou 10-4 atmosfera equivalente 10 Pascais). Com essa pressão a passagem da corrente elétrica em tubos produz luz, cujas cores dependem do gás usado no seu interior e da tensão elétrica aplicada entre os eletródios. Essas lâmpadas são conhecidas como tubos de Geissler e, popularmente, são chamadas lâmpadas de gás néon, usadas em anúncios luminosos.
Geissler observou que, independentemente do gás usado, o vidro da ampola na área do tubo situada na frente do catódio mostrava fluorescência sempre com a mesma cor, deduzindo que o catódio era a fonte de uma radiação cuja natureza não soube determinar.
Em 1859, o físico e matemático alemão Julius Plücker demonstrou que os raios produzidos em tubos de Geisller eram desviados por um campo magnético. A seguir Hertz mostrou que esses raios atravessavam lâminas delgadas de metal quando estavam colocadas no interior do tubo na frente do catódio. Mais tarde, em 1869, o químico e físico alemão Johann Wilherm Hitorff provou que esses raios tinham trajetória retilínea e os chamou de “raios de brilho”.
Em 1876, o físico alemão Eugen Goldstein denominou os raios observados nos tubos de Geissler de raios catódios (kathodenshtrahlen).
A seguir, em 1875, o físico inglês Sir William Crookes aperfeiçoou a bomba e conseguiu fabricar tubos de alto vácuo, que foram chamados “ovos elétricos” ou “tubos de Crookes”, nos quais a pressão era 75.000 vezes menor que o vácuo dos tubos de Geisller ou equivalente a 1 Pascal[2].
Em 1879, Crookes denominou os raios catódios de “matéria radiante” e, depois, Jean Perrin, físico francês, demonstrou a carga negativa desses raios.
Em 1982, Lenard criou um tubo com perfuração no vidro, na parte oposta ao catódio e vedou a abertura com delgada lâmina de alumínio. Com essa ampola, ele descobriu que os raios catódios ultrapassavam a lâmina e podiam ser detectados fora do tubo, percorrendo pequena distância no ar. Essa radiação foi chamada de “raios de Lenard”.
Em 1895, o físico alemão Eugen Goldstein usou tubos de Crookes com perfurações no catódio e descobriu que por elas passavam raios de carga positiva cuja trajetória era oposta à dos raios catódios e os chamou de “raios canais”, "Kanalstrahlen”. Em 1907, com hidrogênio em ampolas desse tipo, os raios canais levaram à descoberta do próton.
Sir Joseph John Thomson, em 1897, demonstrou que os raios catódios eram elétrons e determinou a relação entre a carga e a massa dessas partículas.
Foi com um tubo de Crookes que, em 1895, Wilherm Conrad[3] Roentgen, físico alemão, descobriu os raios X,
Em resumo: os tubos de Geissler originaram os tubos de Hitorff e de Crookes. Nesse último foram descobertos os raios catódios, os elétrons, os raios canais, o próton, os raios de Lenard e os raios X. Conclui-se que nesses três tipos de ampolas está o ponto de partida da Física Atômica e da Física Quântica.

ANTECEDENTES

Um ano antes de descobrir os raios X, Roentgen, num discurso que fez na Universidade de Würzburg, citou F. Z. Kishner que foi um professor de filosofia da mesma Universidade, no século XVII. Naquela época, esse filósofo disse profeticamente:
Muitas vezes a natureza revela milagres espantosos que nascem das observações simples, mas só são conhecidas por aqueles que possuem sagacidade e agudeza investigativa e consultam a experiência, mestra de todo conhecimento”.
A análise da citação mostra, no início, a definição do que hoje se conhece pela palavra serendipidade e deixa claro que não se deve ao acaso a descoberta dos raios X. O fim da frase serve para definir as qualidades de um cientista, tal qual foi Roentgen.
Quando Pasteur disse: “O acaso só favorece mentes privilegiadas,” afirmou que “acaso” não existe na ciência porque os fenômenos naturais se repetem e somente são entendidos se forem observados por cientistas na verdadeira acepção da palavra.
Veremos a seguir que, no fim do século XIX, a descoberta dos raios X estava, como se diz popularmente, “caindo de madura”. A descoberta só não aconteceu antes porque faltou sagacidade e o espírito investigativo para vários cientistas competentes e de renome que deixaram passar as oportunidades oferecidas pela natureza. Se não fosse Roentgen com suas qualidades de pesquisador, os raios X permaneceriam ocultos, não se pode imaginar por quanto tempo.
As oportunidades perdidas foram: em 1890, trabalhando com raios catódios Crookes notou que suas chapas fotográficas muitas vezes estavam veladas. Ele reclamou, e o fabricante, a Ilford Company, substituiu as chapas. Como o fenômeno e a reclamação se repetiram, o fabricante afirmou que o problema não era das chapas, sugerindo que a causa residia no laboratório. Crookes não seguiu a sugestão e não investigou.
Johnson, Goldstein, Hittrorf e Lenard observaram efeitos semelhantes nas chapas fotográficas e, além disso, constataram a fluorescência de sais próximos das ampolas nos momentos da descarga elétrica, sem que, no entanto, procurassem explicações para os dois fatos.
Em 22 de fevereiro de 1890, na Universidade da Pensilvânia, Arthur Willis Goodspeed e William Jennings deixaram acidentalmente duas moedas sobre chapas fotográficas durante experiências com raios catódios e depararam com uma misteriosa fotografia das moedas quando as chapas foram reveladas Eles não atinaram com a origem do fato e só entenderam o ocorrido depois que tomaram conhecimento da descoberta de Roentgen.
As três histórias retratam a ação dos raios X sobre chapas fotográficas e écrans produzida durante experiências com raios catódios. Depois da comunicação de Roentgen, fatos como esses levaram muitas pessoas, em vários países, a alegar serem os verdadeiros descobridores dos raios X, principalmente, Philipp Lenard que se considerava o legítimo descobridor da nova radiação.

A DESCOBERTA

Quem descobriu os raios X foi o físico alemão Wilhelm Conrad Roentgen, Diretor do Instituto de Física da Universidade de Würzburg. Não se conhece bem a história da descoberta porque, infelizmente, por determinação de Roentgen, a maior parte de seus manuscritos, anotações e correspondências, foram destruídos após sua morte. Entre as fontes de informações que restaram está a entrevista que Roentgen deu, em seu laboratório na Universidade, ao jornalista americano da revista McClure’s Magazine chamado Henry J. W. Dam e que fora enviado à Alemanha em fins de janeiro de 1896. A revista publicou em abril a reportagem com a manchete “A nova maravilha em fotografia”.
O teor de um trecho da entrevista permite a dedução de que Roentgen conhecia os  fatos relacionados com o velamento de chapas fotográficas e a fluorescência de materiais durante a descarga de raios catódios que aconteceram com Crookes e Lenard e outros porque ele disse a Dam:
Eu estava interessado há muito tempo no problema dos raios catódios em tubos de vácuo estudados por Hertz e Lenard. Eu havia seguido suas pesquisas e a de outros, (grifo deste autor), com grande interesse e decidira que logo que tivesse tempo faria algumas pesquisas próprias”.
A descoberta dos raios X começou nos meados de 1895, época em que Roentgen recebeu tubos de Crookes para realizar as experiências que planejara, mas iniciou-as de fato no final de outubro de 1895. Era costume dos cientistas da época, e também de Roentgen, iniciar novas pesquisas repetindo as experiências feitas por outros. É possível que Roentgen, meticuloso como era, tenha iniciado os trabalhos da forma convencional e assim não se sabe quantos dias decorreram entre o começo da investigação e a descoberta dos raios X. Sabe-se o dia da descoberta porque Roentgen declarou na entrevista que descobriu os raios X na noite de sexta-feira, dia 8 de novembro de 1895.
Sabe-se também, por declaração de Roentgen. que o fato aconteceu altas horas quando já não estavam no laboratório seus auxiliares. Na experiência, ele usava um tubo de Crookes coberto com papel preto e nas proximidades estava um cartão coberto com sais de platino-cianeto de bário. Quando Roentgen ligou a alta tensão no aparelho de descargas (assim era como ele se referia aos tubos de raios catódios), chamou-lhe a atenção a fluorescência de um écran coberto com platino-cianeto do bário que estava longe do tubo.
Na entrevista, Roentgen descreve assim a descoberta:
Eu estava trabalhando com um tubo de Crookes coberto com uma blindagem de papelão preto. Um pedaço de papel com platino-cianeto de bário estava lá na mesa. Eu tinha passado uma corrente pelo tubo e notei um linha preta peculiar no papel”. A seguir prossegue : “O feito era algo que só poderia ser produzido, em linguagem comum, pela passagem de luz. Nenhuma luz poderia provir do tubo, pois a blindagem que o cobria era opaca a qualquer luz conhecida, mesmo a do arco elétrico.”
Então o repórter perguntou:
E o que o senhor pensou?”
Roentgen respondeu:
Eu não pensei: eu investiguei. Concluí que estavam saindo raios do tubo que tinham um efeito luminescente sobre o papel pintado com o platino-cianeto de bário. Testei com sucesso a distâncias maiores até mesmo dois metros. Ele parecia, inicialmente, um novo tipo de luz invisível. Era claramente algo novo, não registrado”.
Depois do dia 8, Roentgen disse a seu amigo Bovery:
Descobri algo interessante, mas não sei se minha observação está ou não correta”.
Bem mais tarde, numa carta enviada a seu assistente Ludwig Zehnder ele disse:
Para minha esposa mencionei apenas que eu estava fazendo algo sobre o qual as pessoas, quando descobrissem, iriam dizer: Roentgen provavelmente enlouqueceu”.
Por sua vez, sua esposa Anna Bertha, em uma carta datada de 4 de março de 1896, escreveu:
Quando Willi me contou em novembro que estava trabalhando em um problema interessante, não tínhamos ideia sobre como a coisa seria recebida”.
Roentgen não contou a mais ninguém, nem mesmo a seus assistentes, o que acontecera e o que estava fazendo. Encerrou-se no laboratório onde comia e dormia e, por várias semanas, estudou a nova radiação para diferencia-la da luz visível, dos raios ultravioletas, dos raios de Lenard e dos raios catódios. Uma vez convencido que descobrira um novo tipo de raios, chamou-os de rais-X, X-strahlen por desconhecer sua natureza.
Durante semanas ele estudou as propriedades dos novos raios descobrindo, entre elas, que os raios se propagavam em linha reta, que os raios não eram refletidos e nem refratados ou desviados por lentes, que eles provocavam fluorescência em certas substâncias, que eles impressionavam chapas fotográficas e, prinicipalmente, que atravessavam materiais, inclusive a carne, e que a transparência das substâncias estava relacionada à espessura do material e a sua densidade e não ao estado químico.
Durante a pesquisa, Roentgen radiografou vários objetos entre eles uma bússola, uma caixa de madeira contendo pesos de metal e o cano de uma e espingarda no qual havia uma rachadura, evidenciando a utilidade da descoberta no controle de qualidade da indústria especialmene na metalurgia[4].
No dia 25 de novembro, mostrou a sua mulher Anna Bertha o que estava fazendo. Nessa ocasião, fez a primeira radiografia de um ser humano: a radiografia da mão esquerda da esposa. Assim mostrou o caminho para o uso dos raios X em medicina.
No Natal de 1895, Roentgen concluiu seu trabalho redigindo uma comunicação na qual descreveu as propriedades dos raios X com tal precisão que depois de apresentado à comunidade científica nada de novo foi descoberto sobre a natureza e as propriedades desses raios. O artigo original sobre a descoberta levou o título "Ueber Eine Neue Art von Strahlen” que traduzido significa “Sobre uma nova espécie de Raios".
Roentgen levou em mãos o original ao Presidente da Sociedade de Física e Medicina de Würzburg no dia 28 de dezembro e o convenceu da necessidade de publicação imediata na revista da Sociedade, mesmo sem aprovação prévia da Comissão Editorial e sem apresentá-lo em uma reunião da Sociedade como era normal. O trabalho foi publicado, sem ilustrações, na Alemanha, em 5 de janeiro 1896, e sua tradução para o inglês foi publicada em Londres, pela revista Nature, no mesmo dia da apresentação de Roentgen à Sociedade de Física e Medicina. Seguiram-se as publicações na França em 8 de fevereiro pela revista L’Eclairage Electrique e nos Estados Unidos pela revista Science em 14 de fevereiro [5]. Logo depois foram publicados artigos sobre a descoberta no “Frankfurter Zeitung” de Frankfurt, no “The Electrical Engineer” de Nova York, no “Wuerzburger Anzeiger” de Würzburg, no “The Electrician”, no “Lancet” and “British Medical Journal” de Londres, no “Le Matin”, de Paris no “Times” e no “Science” de Nova York e no “La Settimana” de Florença.
Antes  que revista fosse editada, Roentgen conseguiu a impressão de separatas e, assim, já no dia 1º de janeiro as estava enviando pelo correio para noventa e dois cientistas do mundo com os quais se correspondia e que eram ao mais importantes e influentes Físicos e Médicos Europeus e Americanos da época[6]. O dossiê a eles enviado constava de cópia de sua comunicação, acompanhada de cópias de radiografias. Ele entregou pessoalmente o dossiê para os colegas da região. Já em 8 de Janeiro, Roentgen estava recebendo telegramas de cientistas cumprimentando-o, pedindo informações e remessa de radiografias.
No sábado, 5 de Janeiro de 1896, antes mesmo da apresentação oral que Roengen faria no dia 23 à Sociedade de Física e Medicina de Würxburg, o jornal austríaco de Viena “Neue Freie Press” noticiou a descoberta dos raios X com a manchete “Descoberta sensacional”.
No dia 13 de janeiro, atendendo convite, Roentgen fez um exposição do seu trabalho para o Kaiser Wilherlm II e para a Kaiserina. Nessa ocasião, foi condecorado com a Prussian Order of the Crown, Second Class, mas nesse e em outros momentos recusou receber títulos de nobreza.
No dia 23 de janeiro de 1896, Roentgen fez a apresentação oral de sua comunicação à Sociedade de Física e Medicina de Würzburg e, sob o aplauso dos presentes, radiografou a mão do Presidente da Sociedade o físico Albert von Kölliker o qual, propôs que os novos raios fossem chamados de raios de Roentgen e sua proposta foi entusiasticamente aclamada pelos presentes.

AS PESQUISAS SEGUINTES À DESCOBERTA

Roentgen publicou dois outros trabalhos sobre raios X. Para continuar as pesquisas e realizá-las durante o dia, construiu e colocou dentro de uma das salas de seu laboratório uma espécie de cabine vedada à entrada da luz.[7] Era uma caixa feita de zinco, dotada de uma porta de entrada, também hermeticamente vedada à luz. A cabine tinha tamanho suficiente para conter instrumentos e para uma pessoa permanecer em seu interior. Por dentro e na face oposta à porta, a caixa era internamente blindada com chumbo. Na parede blindada havia uma abertura coberta com alumínio soldado ao zinco para impedir a entrada de luz e permitir a passagem de raios X. No exterior da caixa a 4 cm de distância ficava o tubo de Crookes voltado para abertura coberta de alumínio. O dispositivo permitia a realização de pesquisa no escuro com a entrada da radiação por uma só abertura e, assim, sem que Roentgen percebesse, a blindagem com chumbo o protegia dos efeitos da radiação.
O segundo documento Eine neue Art von Strahlen (II Mittheilung)”, foi apresentado por Roentgen à Sociedade de Física e Medicina de Würzbur em 9 de março de 1896. Esse trabalho mostra que o ar e qualquer outro gás conduz eletricidade quando está exposto aos raios X que é o fenômeno que mais tarde ficou conhecido como ionização do ar pela radiação. Com essa observação, Roentgen deduziu que os raios de Lenard não eram, de fato, raios catódios fora do tubo, mas, sim, representavam os efeitos dos raios X sobre o ar vizinho ao tubo. Nesse trabalho Roentgen sugere a inclusão do aparelho de Tesla nos ciruitos dos equipamentos de raios-X para melhorar seu rendimento.
O terceiro e último trabalho sobre raios X Weitere Beobachtungen über die Eigenschahten der X-Strahlen”, foi apresentado em 20 de março de 1897 e relata que qualquer substância submetida aos raios X emitem novos raios X que são diferentes da radiação secundária resultante da dispersão do feixe principal. Nesse trabalho, ele fez uma série de medidas sobre a opacidade de diferentes espessuras de várias substâncias.

DEPOIS DA DESCOBERTA

Após a descoberta dos raios X, Roentgen recebeu o título de Doutor Honoris Causa em Medicina, da Universidade de Würzburg e, atualmente, é considerado o pai da Radiologia de Diagnóstico. O dia 8 de novembro, dia da descoberta, é considerado o Dia do Radiologista.
Devido à sua descoberta, Roentgen foi laureado com o primeiro Nobel de Física Nobel de Física, em 1901, concedido:
 "Em reconhecimento aos extraordinários serviços que a descoberta dos notáveis raios que levam seu nome possibilitaram".
Roentgen doou a recompensa monetária à sua Universidade, convicto de que a ciência deve estar a serviço da humanidade e não a serviço do lucro, seguindo a escola científica alemã da época. Pelo mesmo motivo, ele não patenteou a descoberta porque acreditava que ela deveria ser patrimônio da humanidade.
Silvanus Thompson, presidente da Roentgen Society de Londres, em 5 de novembro de 1897, na fundação dessa Associação, disse em sua primeira manifestação no cargo:
“Nenhuma descoberta de nosso tempo, ou que de qualquer tempo foi seguida por uma explosão imediata e universal da atividade científica”.
Entre a comunicação da descoberta e o tempo que a notícia se difundiu pelo mundo inteiro não decorreram mais de 15 a 20 dias. Foi uma velocidade espantosa para uma época em que a comunicação entre continentes era feita por cabos submarinos ou navios e a comunicação terrestre dependia de telégrafo e de trens nos países mais avançados.
Já no primeiro semestre de 1896, Sidney Rowland, que ainda era estudante de medicina, criou a primeira revista especializada em radiologia denominada “The Archives of Clinical Skiagraphy” com sede em Londres cujo primeiro número foi editado em maio de 1896. Em abril de 1897, a revista retirou do seu nome a palavra “Clinical” e passou a se chamar “The Archives of Skiagraphy”. Em junho de 1897, mudou novamente o nome para “The Archives of the Roentgen Ray”. Seguiram-se a fundação de The American X-ray Journal (1897), Fortschritte auf dem Gebiete der Roentgenstrahlen (1897), o Transactions of the American Roentgen Ray Society (1902) e o Journal of the Röntgen Society (1904).
Além de revistas e jornais, segundo publicou Otto Glasser no seu livro “Wilhelm Conrad Röntgen and the Early History of Roentgen Rays”, no ano de 1896, foram publicados 49 livros e mais de 995 opúsculos versando sobre o tema (possivelmente esses números estão abaixo da realidade porque eram resultados de uma visão limitada a publicações na Europa e Estados Unidos).
Já foi dito nesta exposição que, em 23 de janeiro de 1896, Kölliker propôs denominar Raios Roentgen a radiação que seu descobridor chamara de raios X. A proposta foi universalmente aceita, mas a denominação raios X acabou predominando possivelmente pela facilidade de pronúncia.
Quatro dias depois da apresentação de Roentgen em Würzburg, a Academia de Ciências de Paris fez uma enquete para encontrar a forma de designar as imagens fornecidas pelos novos raios. Entre as sugestões apresentadas estavam as palavras “skiagrafia”, “skotografia”, “gravação de sombras”, “roentografia”, “nova fotografia”, “eletro-skiagrafia”, “ixografia”, “electrografia”, “catodografia”, “fluorografia”, “diagrafia’, “actinografia”, “picnoscopia”, “fotografia com raios X” e outras.
Esquiagrafia é termo composto por radicais gregos para significar “gravação de sombras”. Foi essa denominação inicialmente adotada para as imagens, mas foi gradativamente substituída pela palavra radiografia, e seu uso desapareceu definitivamente por volta de 1918.
No ano de 1896, as revistas mencionadas e muitas outras publicações de outras áreas do conhecimento como as dedicadas à eletricidade à fotografia e outras, bem como jornais e magazines populares, foram abarrotados pela remessa de esquiagrafias.
No meio científico, quem tinha acesso a um tubo de Crookes procurava abrir um novo caminho para deixar sua marca na história dos raios X. Os primeiros número de abril do The Archives of Clinical Skiagraphy mostrava imagens do esqueleto humano, de animais marinhos[8], de plantas e até do primeiro filme do movimento, feito com esquiagrafias da perna de uma rã obtido por John Macintyre de Glasgow[9]. O número de julho apresentava a primeira radiografia de corpo inteiro realizada com uma só exposição por Willikam Moiton de Nova Iorque.
No ano de 1897, houve uma corrida para a compra de tubos de Crookes e esgotaram-se os estoques (ainda não existiam fábricas para a venda de aparelhos completos de raios e os usuários deviam comprar em  separado cada item do equipamento). Nos Estados Unidos a g/enerral electric publicou um catálogo com as peças para montagem de um aparelho de raios X. Na Europa, apareceram anúncios de venda de “kits” para qualquer pessoa montar seu equipamento e começar a gerar esquiagrafias. Esses fatos levaram, até as primeiras décadas do século XX, ao aparecimento de estúdios fotográficos onde as radiografias eram realizadas indiscriminadamente. A pletora de imagens e experiências aconteceu porque grande parte dos laboratórios das Universidades dispunha dos equipamentos mínimos para repetir as experiências de Roentgen. Nos primeiros tempos, os médicos indicavam radiografias, e os pacientes eram encaminhados para físicos que as realizassem, mas logo alguns médicos aprenderam a técnica necessária e eles mesmos passaram a realizar os exames.
. Foi assim que, além de uso médico, os raios X se tornaram motivos de curiosidades. Houve estúdios fotográficos que faziam radiografias das mãos entrelaçadas de noivos para servir de suvenires, a fluoroscopia era atrativo em espetáculos, em feiras, em exposições comerciais, em festas beneficentes e por exemplo, numa festa para fins beneficente a arrecadação de fundos era feito com o pagamento do presentes, para apreciar o “espetáculo de Roentgen’, que consistia na fluoroscopia das mãos. Consta que um
O uso da radiografia foi proposto para muitos fins além do uso médico em diagnostico ou em pesquisas biológicas. Apareceram sugestões para o uso das radiografias no controle de contrabando, no exame de pacotes nos correios, na detecção de bombas explosivas, na distinção entre pedras preciosas e gemas falsificadas, no controle de soldas em metais e outras.

                            POSTAGENS ANTERIORES

HISTÓRIA DAS RADIAÇÕES NO DIAGNÓSTICO MÉDICO – ONDAS DE CHOQUE - RUÍDO E SOM - PERCUSSÃO E AUSCULTA.HISTÓRIA DAS RADIAÇÕES NO DIAGNOSTICO MÉDICO = ONDAS DE CHOQUE - PULSO E PRESSÃO ARTERIAL.HISTÓRIA DAS RADIAÇÕES NO DIAGNÓSTICO MÉDICO – ONDAS DE CHOQUE - RUÍDO E SOM - PERCUSSÃO E AUSCULTA.HISTÓRIA DAS RADIAÇÕES NO DIAGNOSTICO MÉDICO = ONDAS DE CHOQUE - PULSO E PRESSÃO ARTERIAL.HISTÓRIA DAS RADIAÇÕES NO DIAGNÓSTICO MÉDICO = ESPECTRO ELETROMAGNÉTICO – LUZ VISÍVEL – ENDOSCOPIA.Próxima Potagem:
HISTÓRIA DAS RADIAÇÕES NO DIAGNÓSTICO MÉDICO – ESPECTRO ELETROMAGNÉTICO = RAIOS X – SEGUNDA PARTE – REPERCUSSÃO – EVOLUÇÃO DOS TUBOS DE RAIOS X




[1] A pressão atmosférica ao nível do mar na temperatura de 250 é de 10+5 Pascais.
[2] As ampolas atuais de raios x têm vácuo quase perfeito equivalente a 10-5 Pascais.
[3] A grafia correta de Conrad é com “C” e não com “K”.
[4] As aplicações em indústria e outros setores da economia aconteceram já em fevereiro de 1896 como: o controlo de qualidade na produção de produtos metálicos, a detecção de documentos e pinturas fraudulentos, a inspeção do conteúdo de encomendas postais, o exame da integridade de canhões do exército durante a Primeira Guerra Mundial,a análise de pedras preciosas e de falsificações, o estudos das múmias,entre outras. A entrada de fato dos raio X na metalurgia aconteceu em 1924 com a criação do Laboratório do Instituto de Tecnologia de Massachussets
[5] A quinta edição da comunicação apresentava na capa a seguinte informação: “Esta monografia apareceu também em inglês, francês, italiano e russo”.
[6] Lord Kelvin, no dia 17 de Janeiro de 1896, enviou uma carta a Roentgen, na qual agradeceu a atenção pelo seu envio e o felicitou pela sua descoberta.
[7] Henry Dam descreve essa cabine em sua reportagem e conta  que esteve no seu interior quando viu a fluorescência produzida pela radiação.
[8] O “Archives of the Röentgen Ray”, em 1897, publicou um suplemento dedicado exclusivamente à Biologia Marinha, com trinta e seis radiografias de animais marinhos existentes na costa Inglesa
[9] Esse filme foi apresentado por Macintyre em uma reunião da Royal Society em junho de 1897.

segunda-feira, 22 de julho de 2013

HISTÓRIA DAS RADIAÇÕES NO DIAGNÓSTICO MÉDICO - ESPECTRO ELETROMAGNÉTICO - LUZ VISÍVEL = ENDOSCOPIA

Prof. Dr. João Eduardo Irion
INTRODUÇÃO

A visão retrospectiva da história do uso das radiações em diagnóstico mostra que a tecnologia começou a se incorporar na prática médica no início do século XIX com as tentativas de visualização dos órgãos internos que deram origem à endoscopia. Durante esse período, o progresso tecnológico que se incorporou num ritmo equivalente a passo a passo ao diagnóstico e, no fim do século, passou a avançar aos saltos a partir da descoberta dos raios X.
O uso do espectro visível no diagnóstico refere-se à endoscopia usada em várias especialidades médicas. Dizem que o termo endoscopia foi criado por Hipócrates, mas Antoine Jean Désormeaux foi quem usou pela primeira vez o termo endoscópio.
A endoscopia, no seu início, explorou cavidades naturais como a boca, o nariz, o ouvido, a uretra, a vagina, o ânus, dando origem à laringoscopia, oftalmoscopia, esofagoscopia, gastroscopia, colonoscopia, rinoscopia, broncoscopia, uretroscopia, cistoscopia e vaginoscopia. Posteriormente, a endoscopia estendeu seu campo de ação e passou a explorar cavidades fechadas mediante acessos cirúrgicos, como é o caso da laparoscopia, da toracoscopia, da artoscopia e da encefaloscopia.

ANTECEDENTES

A tentativa de ver o interior do corpo remonta à antiguidade. No Talmude Babilônico consta um aparelho fabricado com chumbo com ponta curva, o “siphopherot” (sifão), utilizado para exame do útero. Atribui-se a Hipócrates a criação de um espéculo anal. Nas ruínas de Pompeia foram encontrados espéculos para realização da endoscopia. Mais recentemente, em 1567, Tulio Caessare Aranzi descreveu em sua obra “Tumores Praeter Naturam” uma forma de iluminar cavidades.

OS PRECURSORES DA ENDOSCOPIA

A endoscopia venceu obstáculos para chegar ao estágio atual. O primeiro deles foi obter uma fonte luminosa adequada, outro foi desenvolver a tecnologia de lentes e o terceiro foi superar a rigidez dos endoscópios pioneiros.
A unanimidade dos historiadores da medicina atribui ao alemão Philipp Bozzini a primeira tentativa bem sucedida para a criação de um aparelho para exame da bexiga, faringe e reto. O aparelho criado por Bozzini (1773-1809) em Viena,. no ano de 1805, recebeu o nome de “Lichtleiter”, termo que significa “aparelho para guiar a luz”. Era uma cânula com duas vias: uma conduzia a luz de uma chama de vela e a outra servia para observar o interior do órgão examinado. Bozzini tornou público o invento em 1807, no artículo “Der Lichleiter”, formando a base das técnicas endoscópicas e por isso ele é considerado um dos pioneiros da endoscopia.
Bozzini não usou seu aparelho em seres humanos porque o decano da Faculdade de Medicina de Viena considerou seu uso uma temeridade e o proibiu.
Um segundo passo no uso da luz visível no diagnóstico foi dado por Herman Ludwig Helmholtz que inventou, em 1851, o oftalmoscópio para exame do fundo de olho.
Em 1877, Nitze produziu o primeiro cistoscópio munido de lentes e, em 1885, o francês Antoine Jean Désarmeaux construiu um cistoscópio com um sistema rudimentar de lentes e o batizou com o nome de endoscópio. Em 1854, Manoel Garcia, médico espanhol, inventou o primeiro laringoscópio. Em 1868, o professor alemão de Freiburg Adolph Kussmaul usou um cistoscópio de Désarmeaux para examinar o estômago de um faquir engolidor de espada e, para chegar ao estômago, usou um tubo metálico de 47 cm de comprimento e 1,3 cm de diâmetro e assim marcou o início da história da gastroscopia.
Vinte e quatro anos depois da invenção da lâmpada por Edson, Tuttle, em 1903, fabricou o primeiro cistoscópio munido com luz elétrica.

HISTÓRICO DA ENDOSCOPIA DIGESTIVA

O desenvolvimento da endoscopia digestiva serve de baliza para o acompanhamento das demais formas de endoscopia, porque a história dessa especialidade pode ser tomada como parâmetro para a avaliação da evolução das demais endoscopias.
Depois de Adolph Kussmaul, Max Nitze, no ano de 1879, em Viena, descreveu o primeiro endoscópio munido de um grupo de lentes. Em 1881, Johan von Mikulicz desenvolveu o primeiro gastroscópio rígido com iluminação distal após a invenção, em 1879, da lâmpada de luz incandescente por Edson.
Os gastrocópios enfrentavam a limitação de sua rigidez até 1932 quando Rudolph Schindler, de Munique, criou junto com Georg Wolf (um fabricante de instrumentos de Erlanger) o endoscópio semiflexível contendo mais de 50 lentes. Esse, depois de introduzido no estômago, era retificado para ajustar as lentes permitindo a realização do exame. Esse gastroscópio foi substituído ainda em 1955, pelo Gastroflex, criado pelo francês Charles Debray, com maior flexibilidade com diâmetro de 10 mm e com luz suficiente para a tomada de boas fotografias.
Muito antes, em 1878, Lange e Meltzing, na Alemanha, fizeram sem sucesso a primeira tentativa de criação de uma gastrocâmera. Somente em 1950 os pesquisadores da Olympus e os médicos da Universidade de Tóquio superaram os obstáculos e criaram a primeira gastrocâmera eficiente.
O avanço seguinte veio com o aparecimento da fibra ótica[1], cuja apresentação aconteceu em janeiro de 1954, na revista Nature. Em 1957, em Michigan, o Professor Basil Isaac Hirschowitz, um sul-africano naturalizado americano, usou o protótipo de gastroscópio com fibra ótica para examinar o próprio estômago. O aparelho foi lançado no mercado em 1960 e o primeiro trabalho sobre o uso do endoscópio de fibra ótica foi publicado na Revista Lancet, em agosto de 1963.
A endoscopia eletrônica (feita com videoendoscópios) começou a nascer nos Laboratórios da Bell da AT&T, em 1969, quando Boyle e Smith inventaram o CCD (charger-coupled semiconductor device). Dez anos depois, em 1979, os engenheiros da empresa Welch Allyn criaram o endoscópio eletrônico e o apresentaram no Congresso Asiático de Endoscopia do Pacífico, e logo após, a empresa Olympus também apresentou seu próprio modelo. O vídeoendoscópio permitiu melhor imagem, melhores fotos e vídeos, menor contaminação e a possibilidade de avaliação das imagens simultaneamente, por mais de um endoscopista.
A necessidade de explorar o intestino delgado, órgão com cerca de 5 metros de comprimento levou à fabricação do enteroscópio de duplo balão. O primeiro deles, fabricado pela empresa Fujino, tinha 2 metros de comprimento. Logo depois a Olympus apresentou um enteroscópio de um só balão.
O avanço final na endoscopia digestiva veio com o desenvolvimento das cápsulas endoscópicas.
O uso de cápsulas no diagnóstico remonta a 1950 quando foi criada uma cápsula para medir temperaturas e depois, em 1960, foi criada outra para medir pH.
A invenção da cápsula endoscópica se deve à associação, em 1997, do gatroenterologista inglês Paul Swain com o engenheiro eletrônico israelita Gabriel Iddan da empresa Given Imaging. Eles inventaram uma pequena cápsula para ser deglutida, montada com materiais especiais, equipada com miniaturas de bateria, emissores de luz, câmera para captura de imagens, transmissores de vídeo e circuitos eletrônicos com tecnologia de ponta para transmitir imagens a serem gravadas num receptor colocado na cintura do paciente. Durante o trajeto pelo tubo digestivo, do esôfago ao reto, a cápsula emite cerca de 60.000 imagens que ficam gravadas no receptor do qual são transferidas para visualização e analise num computador.
Em 1997, Iddan deglutiu a primeira cápsula. No ano 2000, cápsulas foram deglutidas por dez voluntários e nesse ano a revista Digest Disease Week publicou as primeiras imagens do intestino delgado. A cápsula deu origem a novo tipo de endoscopia, a capsuloendoscopia, que usa cápsulas especiais para avaliar o esôfago, o estômago, o intestino delgado e o cólon.

A ENDOSCOPIA DAS VIAS AÉREAS – DA LARINGOSCOPIA À BRONCOSCOPIA

Antes de Bozznin, em 1743, M. Levret usou um espelho feito de prata polida para refletir a luz do sol que usou para remover pólipos do nariz e da garganta.
Em 1854, Manoel Garcia, médico espanhol, inventou o primeiro laringoscópio. Seu pai era um barítono e suas irmãs eram sopranos e os três eram famosos na Europa. Manoel tentou sem êxito ser cantor e, como médico, procurou em sua garganta a causa de seu fracasso. Para isso montou um sistema de espelhos para examinar a própria garganta, criando em 1854 um laringoscópio. Para estudar a voz, Garcia dissecava laringes de cães. Garcia não ficou famoso como cantor, mas fez fama como fisiologista da voz. Em 1855, apresentou à Royal Society de Londres um trabalho sobre fisiologia da voz humana, descrevendo a ação da glote e dos mecanismos musculares capazes de modificar o timbre e a intensidade da voz.
O médico Gustav Killian é considerado o criador da broncoscopia. Em 30 de março de 1897, em Freiburg, na Alemanha, extraiu um osso de porco do brônquio de um agricultor. Para isso usou um laringoscópio de Kirstein junto com o esofagoscópio de Mikulicz– Rosenheim. Em 1898, no Congresso de Laringología, em Heilderberg, Alemanha, ele comunicou o fato, chamando sua técnica de “broncoscopia direta” que se difundiu por muitos países. Killian a seguir aperfeiçoou o laringoscópio, criou um traqueoscópio, já com uma lâmpada distal que passou a ser conhecido como traquescópio de Killian.
O desenvolvimento de fato da broncoscopia se deve ao médico laringologista americano Chevalier Jackson, cujo trabalho e grande contribuição bibliográfica foi a origem de uma escola sobre a técnica broncoscópica. Em 1907, Jackson publicou seu primeiro livro “Tracheobronchoscopy, esophagoscopy and bronchoscopy”, reeditado em 1914. Além de aperfeiçoar a técnica endoscópica. ele melhorou os equipamentos.É de sua criação o broncoscópio autônomo (assim chamado porque foi o primeiro a não necessitar de uso prévio de laringoscópio). Esse aparelho era equipado com um sistema de lentes e uma lâmpada distal. Chevalier Jakson não patenteou seus inventos para não limitar o desenvolvimento da broncoscopia. Em 1916, foi nomeado Professor de Laringología no Jefferson Medical College, onde implantou um programa de treinamento da técnica broncoscópica. Um dos aperfeiçoamentos do broncoscópio se deve a Edwin N. Broyles, discípulo de Chevalier Jackson, que criou aparelhos de visão lateral com iluminação distal.
O passo seguinte no aperfeiçoamento do broncoscópio se deve ao Japonês Shigeto Ikeda (1925-2001), o qual, junto a Haruhiko Machida, apresentou, em 1964, o primeiro fibrobroncoscópio, cujo sétimo modelo foi lançado no mercado em 1967.
Em 1983, Ono e Ikeda e a companhia Ashai Pentax desenvolveram o videobroncoscópio, equipado com uma câmera em sua extremidade e que permitia a gravação eletrônica das imagens.
Em seu início, a broncoscopia fazia parte da otorrinolaringologia e depois da fundação, em 1950, da Associação Internacional para Estudo dos Brônquios (AIEB), passou a ser atribuição da pneumologia.


             TORACOSCOPIA

A toracoscopia diagnóstica ou médica e a toracoscopia cirúrgica nasceram ao mesmo tempo. Isso aconteceu no início do século XX, no auge da luta contra a tuberculose quando, por acaso, foi descoberto que cavernas pulmonares cicatrizavam espontaneamente em pacientes portadores de pneumotórax. Em 1910, a observação desse fato levou a Hans Christiansen Jacobeus, um médico interno do Hospital Serafimerlasarettet de Estocolmo, a usar um cistoscópio para examinar, pela primeira vez, a cavidade pleural e seccionar aderências pleurais causada por sequelas de tuberculose. Ele descreveu o procedimento em um artigo publicado em 1911, intitulado “A Possibilidade de se Realizar Cistoscopia no Exame de Cavidades Serosas” . Em 1915, Jacobeus criou o primeiro toracoscópio.
Em 1924, John Singer publicou o primeiro trabalho científico sobre toracoscopia e, em 1928, Felix Cova publicou o “Atlas da Toracoscopia”.
O uso da toracoscopia arrefeceu a partir de 1945 com a introdução da estreptomicina no tratamento da tuberculose. Na década de noventa, com o avanço da instrumentação, com melhores lentes, com o uso da fibra ótica nos endoscópios e com o advento da vídeoendoscopia o método voltou a evoluir rapidamente. Hoje a toracoscopia operatória se chama cirurgia vídeoassistida e é realizada em blocos cirúrgicos, ficando o termo toracoscopia reservado para os procedimentos diagnósticos realizáveis em ambientes broncoscópios.

LAPAROSCOPIA

A laparoscopia diagnóstica precedeu a laparoscopia cirúrgica.
O início da laparoscopia se deve ao cirurgião alemão de Dresden Geog Kelling que, em 1901,realizou o que chamou de “celioscopia“, técnica de enchimento com ar do abdômen de um cão vivo para inspecionar suas vísceras com um cistoscópio de Nietze. No mesmo ano, Dimitri Ott, ginecologista russo, realizou a “ventroscopia", usando um espelho frontal como fonte de luz para examinar o interior do abdômen com um espéculo na parede abdominal. Em 1910, Hans Christian Jacobeus, do Hospital Serafimerlasarettet de Estocolmo, procedeu ao que chamou de “laparoscopia", estudando a cavidade abdominal de uma série de pacientes.
No ano seguinte, Bertran Bernhein fez a primeira laparoscopia diagnóstica n os Estados Unidos.
O desenvolvimento da laparoscopia dependeu do desenvolvimento de técnicas de pneumoperitôneo aperfeiçoadas por Raoul Palmer, de Paris, em 1947 e pelo Professor Kurt Semm, ginecologista e engenheiro, de Kiel, na Alemanha. Dependeu também da tecnologia como as lentes de visão oblíqua desenvolvidas por H, Kalk em 1929 e, principalmente, pela introdução da tecnologia de fibra ótica por Hopkins e Kapany na Inglaterra.
O primeiro caso de laparoscopia urológica diagnóstica foi descrito em 1976 por Cortese e colaboradores que localizaram testículos criptosquídicos abdominais bilaterais em um adulto. O desenvolvimento da laparoscopia foi em parte retardado pelo aparecimento da tomografia axial computadorizada e pela ecografia, porém o desenvolvimento da videolaparoscopia, permitindo a visão do procedimento simultaneamente, por mais de um operador, impulsionou o método tanto no diagnóstico como na terapêutica.

ARTROSCOPIA

A primeira artroscopia foi realizada em Tóquio pelo Professor K. Takagi. Ele, na sua primeira experiência, usou um cistoscópio para examinar um joelho e depois desenvolveu um aparelho que ele denominou de artroscópio específico para o procedimento. Takagi aperfeiçoou o aparelho e, em 1932, conseguiu fotografias de artroscopia e em 1936 obteve imagens cinematográficas e fotografias coloridas com o procedimento.
Eugen Bircher de Aarau na Suíça, em 1921, publicou o resultado de 20 artroscopias usando um toracoscópio de Jacobeus. As contribuições de Takagi e de Bircher propagaram a artoscopia em países de língua inglesa e, em 1925, Philip H. Kreuscher apresentou à Sociedade Médica de Illinois um relato sobre lesões de meniscos identificadas em artroscopias. A seguir, o Dr. Michael Burmann do Hospital de Doenças Articulares de Nova Iorque usou um instrumento criado por R. Wagner para artroscopias do tornozelo, cotovelo e ombro.
Em 1957, o Dr. Masake Watabe, sucessor de Takagi publicou o Atlas da Artroscopia e, em 1960, apresentou Artroscópio 21 que se tornou o aparelho de excelência usado no procedimento por décadas.
SITES CONSULTADOS EM JUNHO E JULHO DE 2013:

 

Postagens anteriores:


HISTÓRIA DAS RADIAÇÕES NO DIAGNÓSTICO MÉDICO – ONDAS DE CHOQUE - RUÍDO E SOM - PERCUSSÃO E AUSCULTA.
HISTÓRIA DAS RADIAÇÕES NO DIAGNOSTICO MÉDICO = ONDAS DE CHOQUE - PULSO E PRESSÃO ARTERIAL.

Próxima Postagem:

          HISTÓRIA DAS RADIAÇÕES NO DIAGNÓSTICO MÉDICO – ESPECTRO ELETROMAGNÉTICO = RAIOS X




[1] A fibra ótica foi patenteada por John Bairden em 1926.

quarta-feira, 10 de julho de 2013

HISTÓRIA DAS RADIAÇÕES NO DIAGNÓSTICO MÉDICO - ONDAS DE CHOQUE - RUIDO E SOM - PERCUSSÃO E AUSCULTA

Prof. Dr. João Eduardo Irion

INTRODUÇÃO

A história do som na medicina também se perde no tempo porque a ausculta dos órgãos internos era conhecida na antiguidade, e uma das primeiras referências do uso do som na medicina se deve a Hipócrates que, em sua obra “De Morbis”, (400 a.C.), refere-se à ausculta dizendo: “se você escutar colocando o ouvido no peito...”
Mais recentemente a história registra as palavras proféticas do cientista inglês Robert Hooke (1653-1703) quando antevê a importância da ausculta na medicina: "... eu fui capaz de ouvir claramente o batimento do coração humano... quem sabe, pelos sons que os movimentos dos órgãos internos fazem, possamos descobrir as tarefas efetuadas em vários escritórios e lojas do corpo humano, e daí reconhecer que instrumento ou máquina está com defeito.
A clínica médica moderna começou a se estruturar na França no século XIX, graças ao trabalho de três médicos que vou chamar “trio de ouro”, formado por Corvisart que fundamentou a clínica médica, Laënnec que modificou a ausculta criando o estetoscópio e Auenbrugger o criador da percussão no exame físico do paciente.
Jean Nicolas Corvisart (1755-1821) nasceu em Dricurt, França e era filho de uma família tradicional. Seu pai, procurador da coroa, queria que se dedicasse à advocacia e lhe cortou o sustento quando Jean começou estudar medicina. Corvisart trabalhou como bedel de anatomia e também como vendedor de livros para custear seus estudos. Titulou-se médico antes de completar 18 anos, em 14 de novembro de 1782. Ao procurar trabalho como médico no Hôpital de Paroisses (Hospital s Paróquias), fundado pela Sra. Necker, esposa do Ministro das Finanças de Louis XVI, não foi aceito porque se recusou a usar peruca durante o trabalho. Contentou-se, então, a trabalhar em Saint Sulpice. Com sua grade capacidade de trabalho e seu poder de observação, tornou-se professor e mais tarde ganhou a confiança de Napoleão Bonaparte, tornando-se seu médico. Napoleão dizia: “eu não acredito na medicina, mas acredito em Corvisart”.
Corvisart estruturou a clínica médica e publicou livros de sua autoria. Entre eles: Aphorismes sur la consaissance et le caractère des fievres”, 1797 “Éloge de Debois de Rochefort”, 1789, “Essai sur les maladies et les lésions organiques du couer et des gros vaisseaux”, editado em 1806 e traduzido para várias línguas.
Ele traduziu para o francês e publicou o livro de Leopold Auenbrugger sobre percussão, cujo original fora escrito em latim e introduziu a percussão no exame clínico do paciente. A tradução recebeu o título “Nouvelle méthode pour reconnâitre lês maladies internes de la poitrine par la percussion de cette cavité”, 1808.
Corvisart foi professor de médicos que se destacaram na história da Medicina, entre eles Laënec, Dupuitren e Bicha.

A PERCUSSÃO

A percussão foi um método médico usando o som para o exame físico criado pelo médico, músico e compositor Josef Leopold Auenbrugger von Auenbrugg (1.722-1.809), nascido em Graz, na Áustria.
Auenbrugger trabalhou, sem remuneração, como médico no Hospital Militar de Viena onde, lembrando que seu pai percutia os barris para ver o nível do vinho remanescente e usando seus conhecimentos musicais, desenvolveu a técnica de percussão. Em 1761, Auenbrugger publicou seu trabalho num opúsculo em latim com o título “Inventum novum ex percussione thoracis humani ut signo abstrusos interni pectoris morbos detegendi”. O livro, por estar escrito em latim, não teve muita divulgação, embora muitos médicos passassem a utilizar a percussão na prática clínica. Somente depois que Corvisart publicou o livro traduzido para o francês, a percussão entrou definitivamente na prática clínica.

A AUSCULTA E O ESTETOSCÓPIO

A ausculta direta, realizada encostando-se o ouvido no corpo do paciente já estava consagrada na prática clínica no século XIX, mas deu lugar à ausculta indireta nos meados do Século XIX depois da invenção do estetoscópio.
O inventor do estetoscópio foi o médico francês de origem céltica nascido na cidade de Quimper em 17 de fevereiro de 1781e falecido em 13 de agosto de 1826 que, no batismo, recebeu o nome de René, em homenagem ao pai, Téophile em homenagem ao avô, Hyacinthe em homenagem à tia-avó. René, de origem bretão, tinha o sobrenome de Laënnec, palavra que profeticamente significa “pessoa instruída”. Aos cinco anos, o menino René Théophile ficou órfão e foi morar com seu tio Guilhaume, o Reitor da Faculdade de Medicina da Universidade de Nantes, onde estudou medicina tendo Corvisart como um de seus mestres.
A ausculta direta tinha inconveniente – na classe alta era dificultada pelo pudor que impedia que as mulheres tirassem as roupas e na classe baixa era repugnante para o médico no hospital encostar o ouvido no tórax de pessoa que não tomava banho. Segundo Laënnec “... a ausculta direta de encostar o ouvido no tórax é desconfortável, tanto para o medico como para o paciente e provoca repugnância que torna impraticável no hospital. É inconveniente no exame de mulheres devido ao obstáculo físico que as mamas podem representar...”
A invenção do estetoscópio ocorreu quando Laënnec precisou atender uma senhora obesa em trabalho de parto. Ele narra assim o episódio:... “neste ano de 1816 eu fui procurado por uma jovem senhora em trabalho de parto com sintomas de cardiopatia. A possibilidade de percussão e ausculta cardíaca estava prejudicada pelo grau de obesidade. Tive uma ideia. Ocorreu-me que um som se amplifica quando transmitido através de um sólido. Lembrei-me que as crianças costumam arranhar com um alfinete uma das extremidades de um pedaço de madeira e ouvir o ruído nitidamente transmitido na outra. Imediatamente enrolei folhas de papel em forma de cilindro bem apertado, encostei uma ponta no tórax da gestante, me inclinei e apoiei o meu ouvido na outra. Pude perceber a ação do coração de uma maneira muito mais clara e distinta do que fora capaz até então pela ausculta direta.”
A partir da descoberta, Laënnec empenhou-se em aperfeiçoar o instrumento que batizou com o nome de “estetoscópio” palavra formada pelo ante-positivo grego “stethos” que significa peito e pelo pós-positivo grego “scopein” cujo significado é exame.
O primeiro estetoscópio criado por Laënnec era um cilindro de madeira com 33 cm de comprimento por 5 cm de diâmetro. No aparelho original, o cilindro estava dividido em duas partes para serem acopladas quando em uso a fim de “facilitar seu transporte” como ele mesmo declarou.
Laënec publicou sua experiência num livro com um título longo: “De L’Auscultation Médiate ou Traité du Diagnostic des Maladies des poumons et du coeur, fondé principalement sur ce nouveau moyen d’exploration”. Par R.T.H. Laënnec, D.M.P., Médecin de l’Hôspital Necker, Médecin honoraire des Dispensaires, Membre de la Société de la Faculté de Médecine de Paris et de plusieurs autres sociétés nationales. Pouvoir explorer est, à mon vis, une grande partie de l’art”.
No livro, havia um capítulo com instruções para a construção de um estetoscópio e vendia um estetoscópio com um acréscimo de 2.500 Francos.
O estetoscópio se tornou, além um instrumento médico, um símbolo que identifica os médicos.
A cronologia temporal da evolução do estetoscópio é a seguinte:

MODELO MONOAURICULAR:

1– O primeiro modelo criado por Laënnec compunha-se da anexação às extremidades uma peça torácica e outra auricular;
2- Em 1828, Pierre-Adolpho Piorry adelgaçou o tubo à espessura de um dedo e introduziu na extremidade torácica, uma peça em forma de tuba, e na auricular, uma oliva adaptável ao ouvido;
3- Em 1876, Pinard criou o modelo de metal monoauricular ainda em uso, para fins obstétricos.

MODELO BIAURICULAR

1 – A invenção do modelo bi-auricular é incerta
2 – Em 1885, George P. Cammann inovou ao construir o tubo com material flexível
3 – Em 1937 William J. Kerr criou o estetoscópio diferencial, o simbalofone. Nesse, a conexão em Y não existe e foi substituída por duas peças torácicas e dois tubos distais em paralelo para a detecção da audição estereofônica.
4- A campânula original foi substituída por uma membrana
O museu do Instituto de Patologia das Forças Armadas em Washington possui uma coleção da maioria dos modelos construídos de estetoscópios, incluindo a réplica, tanto do cilindro de papel quanto do protótipo de madeira de Laënnec.

BIBLIOGRAFIA:

Sites consultados na internet em julho de 2013:
http://www.historiadelamedicina.org/corvisart.html
            www.pacs.unica.it/biblio/lesson7

PRÓXIMA POSTAGEM – ESPECTRO ELETROMAGNÉTICO – LUZ VISÍVEL – ENDOSCOPIA.

domingo, 7 de julho de 2013

SOBRE CACEQUI

Texto de João Eduardo Irion
Fotografias de José Irion Neto

                                        
Pórtico de entrada da cidade em construção

Cacequi é uma cidade brasileira situada na Depressão Central do Estado do Rio Grande do Sul a 450 km a oeste de Porto Alegre, capital do Estado, na latitude 290 53’ 01’’-Sul e Longitude. 54 0 49’ 30’’ – Oeste. Sua população é da ordem de 14.000 habitantes.
A cidade está situada na planície conhecida como pampa gaúcho na micro-região que pode ser classificada como mesopotâmia, termo que significa “terra ou região entre rios” porque a cidade está cercada por três rios: ao sul da cidade está o rio Cacequi, (que lhe dá o nome) que é afluente do rio Santa Maria, situado a oeste o qual, por sua vez, é afluente do rio Ibicui que fica ao norte.


Mapa do Google modificado. Cacequi na mesopotâmia formada pelos rios Cacequi, ao sul, rio Santa Maria a oeste e rio Ibicui ao norte.

CACEQUI E A FERROVIA

Cacequi se desenvolveu graças a ferrovia. Os trilhos vindos de Santa Maria chegaram a Cacequi no ano de 1890. Em 1896 ficou completa a ligação ferroviária entre Cacequi e a cidade de São Gabriel. Em 1907 a estrada de ferro se estendeu de Cacequi até à cidade de Alegrete e em 1910 completou-se a ligação ferroviária de Cacequi com a cidade de Santana de Livramento. Desde então quatro trens de passageiros chegavam a Cacequi todos os dias da semana, exceto ao domingos e permaneciam na portentosa estação, inaugurada em 1,890 entre 11 e 13 horas. Cacequi era o ponto de baldeação e de almoço dos viajantes e para isso a estação tinha, na época, o maior restaurante do Estado. Nesse intervalo de tempo o movimento à Estação era intenso porque os quatro trens transportavam diariamente entre 400 e 600 pessoa. Infelizmente isso não acontece mais desde o dia 2 de fevereiro de 1996 quando cessaram de circular os trens de passageiros que se cruzavam em Cacequi. A estação é hoje um museu e um centro cultural.cultural.

 Estação Ferroviária de Cacequi. Fotografia panorâmica à esquerda e fotografia detalhada  direita.

O MACACO BRANCO

Cacequi, além da importância que mantém como entroncamento ferroviário, é chamada de Capital da Melancia porque as melancias cultivadas na região estão entre as mais deliciosas do país.
Nesse trabalho desejo destacar que Cacequi possui dois pontos inusitados de beleza, um foi criado pela natureza e outro pela mão do homem.
O “Macaco Branco” é obra da natureza. Trata-se de uma formação geológica peculiar do Rio Grande do Sul. Ele é uma grande escavação cujo local mais profundo tem cerca de 80 m. É uma escavação oriunda da ação da água da chuva e do vento sobre o arenito da região. Esse tipo de formação geológica não pode ser classificado como um cânion porque não tem a forma típica, não está numa região montanhosa e não tem no centro um rio que lhe dê origem. Também não pode ser considerada como um despenhadeiro porque está numa planície e não numa cadeia de montanhas. O povo gaúcho usa linguagem própria para designar fatos, atos e circunstâncias da vida no pampa e assim classifica escavações do tipo Macaco Branco como “voçorocas” palavra que vem do tupi – “mbos’soroca” que significa quebrado ou rompido.
O Macaco Branco é de uma beleza indescritível como atestam as excelentes fotografias de Jose Irion Neto que ilustram esta exposição.








 Fotografias do Macaco Branco - direita vistas panorâmicas. À esquerda fotografias localizadas.


A PONTE DO RIO SANTA MARIA
Outro ponto alto da paisagem cequiense é a ponte metálica da estrada de ferro sobre o rio Santa Maria, no ramal ferroviário entre Cacequi e Uruguaiana concluída em 15 de novembro de 1907. Essa é a maior ponte ferroviária em aço da América Latina com 1473 m de extensão.



Ilustração 7 – fotografias da ponte sobre o rio Santa Maria, com destaque para as areis brancas que caracterizam as praias dos rios da região.



ESCOLA MUNICIPAL EULÁLIA IRION

Eu, meus irmãos, nossos filhos, nossos netos e minha bisneta temos orgulho de existir em Cacequi uma escola com o nome de nossa mãe. Ela, a Professora Eulália Oliveira Irion lecionou em Cacequi na década de 30 até ao final da década de 40. Nosso orgulho vai além: na década de 50 a Professora Eulália, Dona Lalica para os íntimos e para os amigos, lecionou em Santa Maria e essa cidade a homenageou dando seu nome a uma de suas ruas.

Ilustração 9 – Escola Municipal Eulália Irion em Cacequi